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Dourados declara calamidade e inicia vacinação contra chikungunya

Cidade enfrenta mais de 6 mil casos prováveis e inicia imunização com restrições; oito mortes já foram confirmadas

22/04/2026 às 16:37
Por: Redação

A prefeitura de Dourados, em Mato Grosso do Sul, decretou estado de calamidade em saúde pública devido ao crescimento expressivo de casos de chikungunya. Inicialmente restritos à Reserva Indígena de Dourados, os registros agora também abrangem bairros urbanos do município.

 

O prefeito Marçal Filho já havia adotado, em 20 de março, um decreto reconhecendo situação de emergência em saúde pública. Uma semana após esse ato, outro decreto foi publicado, contemplando situação de emergência em defesa civil exclusivamente nas regiões afetadas pela doença.

 

Segundo nota emitida pela administração municipal, o terceiro decreto segue as orientações do Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública (COE), responsável por coordenar estratégias de enfrentamento à epidemia tanto na reserva indígena quanto nos bairros da cidade.

 

O comunicado do governo local destaca o cenário crítico enfrentado por Dourados, com mais de 6.186 casos prováveis de chikungunya notificados até o momento. O índice de positividade para a doença está em 64,9%, de acordo com os dados oficiais.

 

As informações do Departamento de Gestão do Complexo Regulador do município apontam ainda que a ocupação dos leitos de internação já atinge aproximadamente 110% da capacidade, revelando uma situação de sobrecarga nos serviços de saúde que impede o atendimento oportuno, inclusive em ocorrências graves.

 

O decreto que institui o estado de calamidade em saúde pública tem validade de 90 dias.

 

Início da campanha de imunização

A campanha de vacinação contra a chikungunya está prevista para começar na próxima segunda-feira, dia 27. O município recebeu o primeiro lote de vacinas na noite da última sexta-feira, dia 17.

 

Nos dias 22 e 23 de maio, a prefeitura realiza capacitações para profissionais de enfermagem, que serão responsáveis por informar a população sobre possíveis restrições à vacinação e identificar eventuais comorbidades antes da aplicação da dose.

 

As regras definidas pelo Ministério da Saúde estabelecem que somente pessoas com idade superior a 18 anos e inferior a 60 anos podem ser vacinadas. O objetivo é contemplar ao menos 27% desse público-alvo, o que corresponde a cerca de 43 mil indivíduos.

 

Existem restrições para aplicação da vacina:

 

  • Gestantes ou mulheres que estejam amamentando não podem receber a dose.
  • Pessoas em uso de medicamentos imunossupressores, como corticosteroides em doses elevadas, são impedidas de serem vacinadas.
  • Indivíduos com imunodeficiência congênita não podem tomar a vacina.
  • Pacientes em tratamento de câncer submetidos à quimioterapia ou radioterapia, assim como transplantados de órgão sólido, estão impedidos de receber a dose.
  • Pessoas submetidas a transplante de medula óssea há menos de dois anos não podem ser imunizadas.
  • Portadores de HIV/aids estão entre os grupos que não devem receber a vacina.
  • Indivíduos com doenças autoimunes, incluindo lúpus e artrite reumatoide, também não podem ser vacinados.
  • Pessoas que apresentem pelo menos duas condições crônicas, como diabetes, hipertensão, insuficiência cardíaca, arritmia cardíaca, doença pulmonar crônica, insuficiência renal crônica, obesidade, doença hepática crônica ou câncer (em tratamento ou remissão), não devem receber a dose.

 

Além dessas restrições, a vacina não deve ser administrada em pessoas que apresentaram chikungunya nos últimos 30 dias, estejam em quadro febril grave, tenham recebido outra vacina de vírus atenuado nos 28 dias anteriores ou tomado vacina de vírus inativado nos 14 dias prévios.

 

A prefeitura informa que a imunização ocorrerá de forma gradual, pois os integrantes do público-alvo passarão por avaliação médica antes de receber a dose. A distribuição dos imunizantes para todas as salas de vacinação, inclusive nas unidades de saúde indígena, ocorrerá na sexta-feira, dia 24.

 

O cronograma municipal inclui ainda vacinação no formato drive-thru, no feriado de 1º de maio, Dia do Trabalho, das 8h ao meio-dia, no pátio da prefeitura.

 

A vacina contra a chikungunya, aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em abril de 2025, começará a ser aplicada de forma estratégica em locais com risco potencial de surto da doença nos próximos anos, contemplando cerca de 20 cidades em seis estados.

 

O critério para seleção dos municípios, segundo a prefeitura, envolveu fatores epidemiológicos, a incidência de casos e a presença do vírus, o tamanho da população e a facilidade para implantar a nova vacina rapidamente no sistema de saúde local.

 

Estatísticas atualizadas sobre casos e óbitos

Até o dia 20 de maio, Dourados contabilizava 4.972 casos prováveis de chikungunya, sendo 2.074 casos confirmados, 1.212 descartados e outros 2.900 em investigação. Oito mortes foram confirmadas por complicações da doença, das quais sete ocorreram entre moradores da reserva indígena.

 

Recursos federais para enfrentamento

No final de março, o Ministério da Saúde autorizou o repasse emergencial de 900 mil reais para Dourados, destinados a ações de vigilância, assistência e combate à chikungunya. Esse valor será transferido em parcela única, do Fundo Nacional de Saúde para o fundo municipal.

 

De acordo com a pasta, os recursos podem ser aplicados em estratégias de vigilância em saúde, combate ao mosquito Aedes aegypti, aprimoramento da assistência médica e suporte às equipes de atendimento à população.

 

Informações sobre a doença e histórico

A chikungunya é uma arbovirose causada por vírus transmitido por fêmeas do gênero Aedes. No Brasil, o vetor responsável pela transmissão é o mosquito Aedes aegypti.

 

O vírus chegou ao continente americano em 2013, causando epidemias em diversos países da América Central e do Caribe. No Brasil, a presença da doença foi confirmada laboratorialmente no segundo semestre de 2014, nos estados do Amapá e da Bahia. Atualmente, todos os estados brasileiros registram transmissão do arbovírus.

 

Em 2023, o Ministério da Saúde apontou uma expansão territorial significativa do vírus, principalmente na Região Sudeste, embora anteriormente a concentração de casos fosse maior no Nordeste.

 

Entre as principais manifestações clínicas da chikungunya estão o edema e a intensa dor articular, que podem ser incapacitantes. Também podem ocorrer sintomas fora das articulações. Casos graves podem exigir internação hospitalar e, em algumas situações, podem levar ao óbito.

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