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Número de mulheres empregadas cresce 11%, mas diferença salarial aumenta

Levantamento mostra que presença feminina aumentou, mas diferença de salários entre gêneros também subiu

27/04/2026 às 21:01
Por: Redação

O mercado de trabalho brasileiro registrou um aumento de 11% na presença feminina, impulsionado especialmente pela ampliação de oportunidades para mulheres negras e pardas. Apesar desse crescimento, a diferença salarial entre homens e mulheres persiste e, segundo o levantamento mais recente, aumentou em relação ao relatório anterior.

 

O 5º Relatório de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios, divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), apurou que o número de mulheres atuando em empresas privadas com 100 ou mais empregados passou de 7,2 milhões para 8 milhões, o que representa acréscimo de cerca de 800 mil postos de trabalho ocupados por trabalhadoras.

 

Dentro desse avanço, destaque para o grupo de mulheres negras, classificadas no levantamento como pretas e pardas, cuja participação subiu 29%. O número de mulheres negras empregadas foi de 3,2 milhões para 4,2 milhões.

 

No entanto, a desigualdade de remuneração entre homens e mulheres praticamente não se alterou em relação ao relatório anterior. Em 2023, a diferença salarial era de 20,7%; agora, subiu para 21,3%. No que se refere ao salário mediano de contratação — aquele valor que fica no meio da escala entre os salários mais baixos e mais altos — a diferença entre gêneros passou de 13,7% para 14,3%. O relatório considera essa variação estatisticamente estável.

 

A pesquisa se baseou em dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), abrangendo cerca de 53,5 mil estabelecimentos com, pelo menos, 100 funcionários. O salário médio nacional, obtido dividindo a soma dos salários totais pelo número de trabalhadores, ficou em 4.594,89 reais. Já o salário contratual mediano foi apurado em 2.295,36 reais.

 

A participação das mulheres na massa total de rendimentos do país também apresentou crescimento, passando de 33,7% para 35,2%. Apesar disso, esse percentual ainda está abaixo da participação feminina no total de empregos, que é de 41,4%. Para que a massa de rendimentos das mulheres acompanhasse sua presença no mercado de trabalho, seria necessário um acréscimo de 95,5 bilhões de reais nos salários pagos a trabalhadoras.

 

Em nota oficial, a Subsecretaria de Estatística e Estudos do Trabalho do MTE avaliou que um aumento de 10,6% na massa de rendimentos femininos impactaria o consumo das famílias e reduziria a desigualdade de salários entre homens e mulheres, mas ressaltou que esse acréscimo representa custos para as empresas, o que dificulta a adoção dessas mudanças.

 

O relatório identificou avanços em políticas internas das empresas, incluindo expansão da jornada flexível, aumento da oferta de auxílio-creche, extensão de licenças parentais e implantação de planos de cargos e salários. Além disso, aumentou o número de estabelecimentos que apresentam níveis menores de desigualdade salarial.

 

Diferentes realidades regionais

 

Apesar dos avanços gerais, o estudo identificou discrepâncias regionais significativas. Acre (91,9%), Piauí (92,1%), Distrito Federal (91,2%), Ceará (90,5%), Pernambuco (89,3%), Alagoas (88,8%) e Amapá (86,9%) foram apontados como os estados com menor desigualdade salarial entre homens e mulheres.

 

Por outro lado, Espírito Santo (70,7%), Rio de Janeiro (71,2%) e Paraná (71,3%) apresentaram as maiores distâncias salariais entre os gêneros.

 

O levantamento integra a implementação da Lei nº 14.611/2023, que determinou a obrigatoriedade de transparência salarial para empresas com cem ou mais empregados, além de prever medidas para combater a discriminação de gênero e promover maior participação feminina no mercado de trabalho.

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