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Indústria, comércio e sindicatos defendem corte maior na Selic

Redução da Selic para 14,5% é vista como insuficiente por segmentos econômicos e centrais sindicais

30/04/2026 às 11:16
Por: Redação

A recente decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que optou por uma redução de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, foi alvo de críticas por entidades ligadas ao setor produtivo e representantes sindicais. Para esses grupos, a diminuição do índice é insuficiente diante dos desafios econômicos enfrentados pelo país, com impactos percebidos no investimento, no consumo e na renda dos brasileiros.

 

O novo patamar da Selic, que passou de 14,75% para 14,50% ao ano, é visto por essas organizações como um entrave para o crescimento econômico, já que consideram que os juros seguem elevados e continuam pressionando diferentes segmentos da economia.

 

Visão da indústria sobre o custo do crédito

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) manifestou preocupação com o que classificou como um corte pequeno na taxa de juros. A entidade ressalta que, mesmo após a decisão do Copom, o custo do crédito permanece alto, o que afeta diretamente a capacidade de investimento e a competitividade do setor industrial.

 

“O custo do capital continuará em um nível proibitivo, inviabilizando projetos e investimentos que poderiam ampliar a competitividade industrial”, afirmou o presidente da CNI, Ricardo Alban.


 

Além de reforçar o impacto nos investimentos, a CNI alertou para a deterioração da saúde financeira de empresas e famílias. Segundo a confederação, o nível de endividamento desses dois grupos atinge marcas históricas, o que fragiliza ainda mais a economia nacional.

 

Supermercados apontam efeitos negativos dos juros altos

De acordo com a Associação Paulista de Supermercados (APAS), o Banco Central poderia ter sido mais incisivo na redução dos juros. O economista-chefe da entidade, Felipe Queiroz, avaliou que havia espaço para uma diminuição mais robusta desde o último encontro do Copom.

 

Felipe Queiroz destacou que o patamar elevado da Selic prejudica a atividade econômica como um todo.

 

“Estamos vendo muitas empresas entrando em recuperação judicial, endividamento das famílias aumentando e o custo com o serviço da dívida também”, disse Queiroz.


 

Para a APAS, o cenário de juros elevados contribui para estimular o capital especulativo e desestimula investimentos no setor produtivo, o que gera preocupação em relação ao crescimento e à dinâmica do consumo.

 

Sindicatos criticam ritmo lento na redução da Selic

A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da Central Única dos Trabalhadores (Contraf-CUT) também se posicionou de maneira crítica à decisão do Copom, argumentando que a política monetária possui impacto direto sobre a renda das famílias brasileiras.

 

“A redução de 0,25% é muito pouco. O nível de endividamento das famílias está enorme”, afirmou Juvandia Moreira, presidenta da Contraf-CUT.


 

Moreira frisou que a Selic é um parâmetro para todo o sistema financeiro. Ela explicou que, quando a taxa básica de juros sobe, os bancos aumentam as taxas cobradas no crédito. Da mesma forma, quando a Selic cai, há uma tendência de redução nesses custos, mas considerou que o atual recuo é insuficiente para trazer alívio significativo.

 

A Força Sindical também considerou a decisão do Copom inadequada para o momento atual. A central sindical ressaltou que a manutenção dos juros em níveis elevados compromete o desempenho da economia.

 

Em nota, a entidade declarou que a política de juros altos restringe a realização de investimentos, desacelera a produção e causa prejuízos à geração de empregos e à renda dos trabalhadores. A Força Sindical ainda relacionou o cenário ao aumento do endividamento das famílias, declarando que o custo elevado do crédito está diretamente ligado a esse processo.

 

Entidades defendem aceleração na queda dos juros

Embora representem setores distintos, as entidades consultadas apresentam um diagnóstico comum: consideram que existe margem para uma redução mais rápida e intensa da taxa Selic.

 

Indústria, comércio e sindicatos concordam que, no patamar atual, os juros ainda limitam o crescimento econômico, o crédito e o consumo no Brasil, criando obstáculos para o desenvolvimento do país em diferentes frentes.

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