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IGP-M atinge 2,73% em abril e registra maior alta mensal desde 2021

Alta do IGP-M em abril é atribuída ao conflito no Oriente Médio, com forte impacto nos preços dos combustíveis e matérias-primas

30/04/2026 às 02:13
Por: Redação

A variação do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) em abril alcançou 2,73%, marcando o maior avanço mensal do indicador desde maio de 2021, quando o índice havia registrado 4,10%. O aumento foi atribuído principalmente aos efeitos do conflito geopolítico no Oriente Médio, que impactaram diretamente consumidores e produtores brasileiros.

 

No último mês de março, a variação do IGP-M havia sido de 0,52%. Em abril do ano anterior, o índice apontou alta de 0,24%. Considerando o acumulado dos últimos 12 meses, o índice apresenta elevação de 0,61%, interrompendo uma sequência de cinco meses consecutivos de deflação, ou seja, quedas nos preços.

 

Os dados referentes ao índice foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV). Conforme destacou o economista Matheus Dias, do Ibre, todos os subíndices do indicador apresentaram influência direta do conflito ocorrido na região do Estreito de Ormuz.

 

"Nos preços ao produtor, o grupo de matérias-primas brutas avançou quase 6%, em decorrência do choque provocado pela guerra. Além disso, observam-se repasses mais relevantes em produtos da cadeia petroquímica, como sacos ou sacolas plásticas para embalagem, itens de grande importância no varejo".


 

O economista também ressaltou que os preços ao consumidor sentiram de forma significativa o impacto da variação dos combustíveis.

 

"Com destaque para a gasolina, que subiu, em média, 6,3% em abril, e para o diesel, cuja alta foi de 14,9%".


 

A elevação nos preços dos combustíveis não afeta somente o custo do transporte, mas também exerce pressão sobre outros componentes da economia, como o setor de alimentos, devido ao aumento do valor do frete. O óleo diesel, vale destacar, é o principal combustível utilizado por caminhões no transporte de cargas.

 

Impactos do conflito e dinâmica do mercado internacional

 

O conflito no Oriente Médio teve início em 28 de fevereiro, a partir de um ataque promovido pelos Estados Unidos e Israel ao Irã. A região é estratégica, pois reúne países produtores de petróleo e abriga o Estreito de Ormuz, que conecta os golfos Pérsico e de Omã. Por esse canal marítimo escoa cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás.

 

Como resposta à ofensiva, o Irã realizou bloqueios no Estreito de Ormuz, localizado ao sul do país. Esse bloqueio resultou em perturbações logísticas na indústria do petróleo, provocando uma diminuição na oferta do produto e seguido pelo aumento dos preços no mercado internacional.

 

Petróleo e seus derivados, como gasolina e óleo diesel, são considerados commodities, ou seja, mercadorias que possuem seus preços definidos internacionalmente. Por esse motivo, mesmo nações produtoras, como o Brasil, acabam sentindo os reflexos do aumento de preços globalmente.

 

O governo brasileiro tem adotado medidas para conter a elevação dos preços dos derivados do petróleo, incluindo a isenção de impostos e a concessão de subsídios a produtores e importadores.

 

Análise dos componentes do índice

 

O cálculo do IGP-M, realizado pela FGV, leva em consideração três componentes. O de maior peso é o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), responsável por 60% da composição total. Em abril, o IPA registrou aumento de 3,49%, valor que não era observado desde maio de 2021, quando chegou a 5,23%.

 

Outro componente considerado é o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), com peso de 30% na composição do índice. Em abril, o IPC apresentou elevação de 0,94%. Entre os itens que mais pressionaram os preços para as famílias brasileiras nesse período, destacam-se:

 

- Gasolina: 6,29%

- Leite tipo longa vida: 9,20%

- Tomate: 13,44%

- Óleo diesel: 14,93%

- Tarifa de eletricidade residencial: 0,80%

 

O grupo de transporte, fortemente influenciado pela alta dos combustíveis, indicou uma elevação média de 2,26% nos preços.

 

O terceiro índice avaliado na composição do IGP-M é o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), que apresentou aumento de 1,04% durante o mês de abril.

 

Referência para contratos e abrangência geográfica

 

O IGP-M é amplamente utilizado como referência para o reajuste anual de contratos imobiliários, devido ao seu acumulado em 12 meses. Além disso, o indicador serve de base para reajustes de determinadas tarifas públicas e serviços essenciais.

 

O levantamento dos preços que compõem o IGP-M é realizado pela FGV nas cidades de Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador. O período considerado para a coleta dos dados referentes ao mês de abril foi de 21 de março a 20 de abril.

 

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