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Lula defende ação global e critica custo de guerras para os pobres

Em Barcelona, presidente exige reformas na ONU e regulação de plataformas digitais em fórum internacional.

18/04/2026 às 17:15
Por: Redação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva proferiu um discurso incisivo na manhã deste sábado (18) em Barcelona, na Espanha, onde participa da quarta reunião de alto nível do Fórum de Defesa da Democracia. Em sua fala, o chefe de Estado brasileiro condenou veementemente os conflitos armados em curso no mundo e defendeu o fortalecimento do multilateralismo, enfatizando que as consequências dessas guerras recaem desproporcionalmente sobre a população mais vulnerável.

 

Lula, que está em viagem pela Europa cumprindo uma agenda em três países, questionou a lógica dos conflitos globais, destacando o impacto direto na vida das pessoas comuns.

 

"O Trump invade o Irã e aumenta o feijão no Brasil, o milho no México, aumenta a gasolina em outro país. É o pobre que vai pagar pela irresponsabilidade de guerras que ninguém quer?", indagou o presidente brasileiro.

 

O líder brasileiro sublinhou que a comunidade internacional possui desafios mais prementes a serem enfrentados, afirmando que o mundo não necessita de mais conflitos. Ele citou dados alarmantes, como a existência de mais de setecentos e sessenta milhões de pessoas em situação de fome, milhões de analfabetos e o grande número de mortes por covid-19 devido à falta de acesso a vacinas.

 

Lula também observou que o período atual registra o maior número de conflitos armados desde a Segunda Guerra Mundial e clamou por uma atuação coordenada da Organização das Nações Unidas (ONU) para lidar com a situação.

 

"Precisamos exigir que o secretário-geral da ONU convoque reuniões extraordinárias, mesmo sem pedir aos cinco membros do Conselho de Segurança", declarou o presidente.

 

O presidente teceu críticas a diversos conflitos em andamento, mencionando a invasão da Ucrânia pela Rússia, a devastação da Faixa de Gaza por Israel e a confrontação dos Estados Unidos com o Irã no Oriente Médio. Ele argumentou que nenhum presidente, independentemente do poder de seu país, tem o direito de impor regras a outras nações.

 

Lula também cobrou que os cinco membros do Conselho de Segurança da ONU revisem suas condutas. Ele expressou preocupação com a prática de líderes mundiais que tomam decisões e fazem ameaças por meio de redes sociais, sem consultar a ONU, da qual fazem parte. O presidente lamentou o silêncio generalizado dos países diante desses cenários e ressaltou que a vitalidade democrática das Nações Unidas depende do engajamento ativo de seus membros, afirmando que "Fortalecer o multilateralismo depende de nós".

 

Debate sobre Regulação das Plataformas Digitais

 

Em outro ponto de seu discurso, o presidente Lula abordou o papel das plataformas digitais, criticando sua influência na desestabilização política de diversas nações. Ele defendeu que a própria ONU assuma a liderança nas discussões para o estabelecimento de regras globais compartilhadas entre os países.

 

"A verdade, nua e crua, é que a mentira ganhou da verdade. Esse é o dado concreto. Para mentir, você não tem que explicar. Para se justificar, você tem que se explicar", asseverou Lula.

 

O presidente reforçou a necessidade de ação da ONU também no que tange à regulamentação das plataformas, para garantir que as mesmas sejam reguladas mundialmente. Ele questionou a soberania eleitoral e territorial quando presidentes de países buscam interferir em eleições de outras nações, pedindo votos. Lula concluiu que este é um tema crucial que deve ser debatido e defendido no âmbito das Nações Unidas.

 

O Fórum Democracia Sempre, iniciativa lançada em 2024, congrega governos como os de Brasil, Espanha, Colômbia, Chile e Uruguai. O evento em Barcelona foi organizado pelo presidente do Governo da Espanha, Pedro Sánchez, e contou com a presença de diversos líderes, incluindo os presidentes Yamandú Orsi (Uruguai), Gustavo Petro (Colômbia), Cyril Ramaphosa (África do Sul), Claudia Sheinbaum (México) e o ex-presidente do Chile, Gabriel Boric.

 

Compromissos do Presidente na Europa

 

Após o término de seus compromissos na Espanha, o presidente Lula seguirá para a Alemanha neste domingo (19). No país germânico, ele participará da Hannover Messe, considerada a maior feira de inovação e tecnologia industrial do mundo, que nesta edição tem o Brasil como país homenageado. Além da feira, o presidente brasileiro terá um encontro com o chanceler Friedrich Merz.

 

A viagem europeia de Lula será concluída no dia 21, com uma breve visita de Estado a Portugal. Em Lisboa, o presidente brasileiro tem agendados encontros com o primeiro-ministro Luís Montenegro e com o presidente António José Seguro.

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