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Saúde alerta para risco de sarampo no Brasil após Copa do Mundo

Nota técnica enfatiza a necessidade de vacinação e vigilância sanitária diante do elevado fluxo de viajantes para EUA, Canadá e México, que registram alta incidência da doença.

23/04/2026 às 20:23
Por: Redação

O Ministério da Saúde emitiu um aviso sobre a possibilidade de reintrodução e propagação do sarampo em território brasileiro. A preocupação surge devido ao grande movimento de pessoas que viajarão para a Copa do Mundo de 2026, que ocorrerá em junho nos Estados Unidos, Canadá e México, nações que atualmente enfrentam surtos da doença.

 

Uma nota técnica divulgada pela pasta detalha o panorama de alta transmissibilidade do sarampo nas Américas e o considerável número de brasileiros que se deslocarão para os países-sede do evento, bem como para outras localidades com surtos ativos da infecção.

 

Há um risco iminente de reintrodução do sarampo no Brasil após o retorno desses viajantes ou da chegada de estrangeiros, porventura infectados.

 

O documento ministerial enfatiza a importância da vacinação contra o sarampo para proteger tanto os viajantes quanto a população residente no Brasil, especialmente porque Estados Unidos, Canadá e México registram um alto volume de casos, mantendo surtos ativos.

 

O Departamento do Programa Nacional de Imunizações destacou na nota que “A vacinação oportuna de viajantes e a vigilância sensível dos serviços de saúde são as únicas estratégias capazes de mitigar o risco de reintrodução do vírus”.

 

A orientação é que “estados, municípios e profissionais de saúde priorizem a atualização vacinal e o monitoramento rigoroso de casos suspeitos, a fim de manter o status do Brasil como país livre da circulação endêmica do vírus do sarampo”.

 

Impacto da Copa do Mundo 2026

 

A Copa do Mundo de 2026 está agendada para acontecer entre 11 de junho e 19 de julho de 2026, com partidas distribuídas por diversas cidades nos Estados Unidos, México e Canadá. A expectativa é que milhões de indivíduos, incluindo um grande contingente de viajantes internacionais de diferentes partes do mundo, participem do evento.

 

O Ministério da Saúde ressaltou no documento que “Eventos de massa internacionais como este resultam em grande mobilidade populacional e intensa circulação de viajantes entre países e continentes, o que pode favorecer a disseminação de doenças transmissíveis”.

 

Panorama do Sarampo nas Américas

 

O Ministério da Saúde caracteriza o sarampo como uma doença viral aguda, altamente contagiosa e com potencial de gravidade. A transmissão ocorre primariamente através do ar ou por gotículas respiratórias expelidas ao tossir, espirrar, falar ou respirar. O vírus pode se espalhar rapidamente em locais com grande aglomeração de pessoas.

 

A pasta também advertiu que o sarampo ainda tem uma vasta distribuição global, com surtos persistentes em todos os continentes. Em 2025, foram contabilizados 248.394 casos globalmente, o que demonstra que a circulação viral continua sendo uma ameaça significativa à saúde pública.

 

Este cenário é agravado pela existência de grupos de indivíduos suscetíveis à doença, resultado da hesitação em relação à vacinação e de falhas nas taxas de cobertura vacinal em diversas regiões.

 

Na região das Américas, o documento aponta uma elevação notável na incidência da doença, com milhares de casos de sarampo, principalmente nos países anfitriões da Copa.

 

No Canadá, a epidemia de sarampo em 2025 registrou 5.062 casos, levando à perda da certificação do país como livre de sarampo. Em 2026, foram notificados 124 casos, o que mantém a região em status de circulação endêmica.

 

Uma situação similar foi registrada no México, que viu seus casos aumentarem de sete em 2024 para 6.152 em 2025, e 1.190 casos em janeiro de 2026, conforme dados preliminares.

 

Os Estados Unidos, por sua vez, reportaram 2.144 casos em 2025 e 721 casos apenas em janeiro de 2026.

 

Atualmente, os três países estão enfrentando surtos ativos de sarampo, indicando uma transmissão contínua do vírus. O agravamento dessa situação resultou na perda do status da região das Américas como zona livre de transmissão endêmica em novembro de 2025.

 

Situação do Sarampo no Brasil

 

Apesar do contexto regional desafiador, o Brasil conseguiu manter seu status de país livre da circulação endêmica do vírus do sarampo, um feito alcançado em 2024.

 

Em 2025, o país investigou 3.952 casos suspeitos, dos quais 3.841 foram descartados, 46 permanecem em análise e 38 foram confirmados. Dentre os casos confirmados, dez foram importados, 25 foram classificados como relacionados à importação e três tiveram a fonte de infecção desconhecida.

 

“Um dado alarmante é que 94,7% dos casos confirmados em 2025 (36 de 38) ocorreram em pessoas sem histórico vacinal”, enfatizou o ministério.

 

Até meados de março de 2026, o Brasil registrou 232 casos suspeitos e confirmou dois: uma criança de seis meses, residente em São Paulo, com histórico de viagem à Bolívia; e uma jovem de 22 anos, moradora do Rio de Janeiro, com investigação em curso. Ambas não estavam vacinadas.

 

O cenário epidemiológico atual reforça a vulnerabilidade do Brasil frente à reintrodução do vírus. A combinação de surtos ativos em países vizinhos, fluxo contínuo de viajantes, brasileiros não vacinados e a confirmação de casos importados faz com que o risco de casos e surtos de sarampo seja alto.

 

Recomendações de Vacinação

 

A nota técnica do Ministério da Saúde reitera que a vacinação é a principal ferramenta para prevenir e controlar o sarampo. A imunização é oferecida gratuitamente pelo Programa Nacional de Imunizações por meio das vacinas tríplice viral (que protege contra sarampo, caxumba e rubéola) e tetraviral (que abrange sarampo, caxumba, rubéola e varicela).

 

Dados da pasta indicam que, em 2025, a cobertura da primeira dose (D1) no Brasil alcançou 92,66%, aproximando-se da meta nacional de 95%. A homogeneidade, que mede a qualidade da cobertura em diferentes localidades, atingiu 64,56%, com 3.596 municípios alcançando a meta de 95%.

 

Já a cobertura da segunda dose (D2) foi de 78,02%, com homogeneidade de 35,24%, e 1.963 municípios atingiram a meta de 95%.

 

“Esses resultados evidenciam que ainda há pessoas não vacinadas contra o sarampo no Brasil. Assim, o risco de reintrodução do vírus aumenta com o retorno de viajantes brasileiros infectados ou com a chegada de viajantes estrangeiros infectados, levando a uma potencial ocorrência de surtos e epidemias de sarampo”, detalha o documento.

 

Para quem vai viajar para o exterior, a orientação é verificar o cartão de vacinação e procurar uma unidade de saúde para atualizar a imunização contra o sarampo antes da viagem, seguindo o esquema abaixo:

 

  • Crianças com idade entre 6 e 11 meses e 29 dias devem receber a dose zero da vacina, com um mínimo de 15 dias de antecedência do embarque, para permitir a produção de anticorpos.
  • Para crianças a partir de 12 meses até adultos de 29 anos que necessitam do esquema vacinal completo de duas doses, o ideal é que a primeira dose seja aplicada, no mínimo, 45 dias antes da viagem. Isso garante tempo suficiente para receber a segunda dose (30 dias após a primeira) e para que os anticorpos sejam produzidos (aproximadamente 15 dias).
  • Adultos com idade entre 30 e 59 anos que precisam de uma dose da vacina devem iniciar o esquema com, no mínimo, 15 dias de antecedência do embarque, para que haja tempo hábil para a soroconversão.

 

O ministério acrescentou que “Em situações em que a vacina não foi administrada no período ideal, ainda assim é recomendável que o viajante receba pelo menos uma dose antes de viajar, até mesmo no dia do embarque”.

 

Risco de Reintrodução é Concreto

 

O vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri, afirmou que o risco de a doença ser reintroduzida no Brasil é real.

 

Justamente no momento em que nós recuperamos o status de zona livre do sarampo, estamos vivenciando um grande surto nas Américas, principalmente na América do Norte. Mas também há casos na Bolívia, na Argentina e no Paraguai.

 

Kfouri explicou que “Obviamente que o deslocamento frequente de pessoas faz com que o risco de reintrodução da doença seja real”. Ele complementou que “A chance de alguém entrar com sarampo aqui é grande”.

 

Segundo Kfouri, o Brasil deve manter sua população imunizada, criando uma barreira contra a transmissão do vírus, e implementar uma vigilância altamente ativa para a detecção precoce de possíveis casos.

 

“Casos importados vão acontecer. Em 2025, tivemos 35. Mas esses casos não se traduziram em uma cadeia de doença. Portanto, a gente só teve esses casos. Não temos transmissão mantida entre nós”, afirmou ele.

 

O vice-presidente da SBIm enfatizou a importância de capacitar todos os profissionais de saúde não apenas para o reconhecimento rápido da doença, mas também para a implementação de ações imediatas como isolamento, bloqueio e coleta de exames.

 

Que neste momento de aglomeração, que a gente tenha um cuidado ainda maior. Viajar com a vacinação em dia, e estar alerta para os que voltam de lá com sintomas.

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