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Dólar encerra abril em queda e atinge menor cotação desde março de 2024

Moeda dos Estados Unidos acumula desvalorização de 4,38% em abril e 9,77% no ano, com impacto do fluxo estrangeiro e cenário de juros altos.

01/05/2026 às 19:10
Por: Redação

O encerramento do mês de abril no mercado financeiro brasileiro foi marcado por um cenário de otimismo. A combinação entre fatores internacionais e o tom mais rígido do comunicado emitido pelo Comitê de Política Monetária resultou em uma forte desvalorização do dólar, que atingiu o menor valor em mais de dois anos.

 

Após seis sessões seguidas de baixa, a bolsa de valores registrou aumento, em um contexto de maior apetite global por investimentos arriscados, beneficiando mercados emergentes como o brasileiro.

 

A conjuntura recente estimulou o ingresso de capital estrangeiro, levando investidores a comercializar dólares no mercado, com direcionamento dos recursos para ativos nacionais, como as ações negociadas em bolsa. Nesta quinta-feira, dia 30, o dólar comercial encerrou cotado a quatro reais e noventa e cinco centavos, com recuo de quatro centavos e noventa e nove centavos (-0,99%). Esse valor representa o menor patamar desde 7 de março de 2024.

 

Durante o mês de abril, a desvalorização da moeda dos Estados Unidos frente ao real acumulou quatro vírgula trinta e oito por cento. Considerando o desempenho acumulado no ano, a queda é de nove vírgula setenta e sete por cento, posicionando o real entre as moedas que mais se valorizaram no período.

 

A movimentação observada reflete não apenas a fraqueza global do dólar, que se manifestou em vários mercados internacionais, mas também uma realocação de investimentos para países com taxas de juros mais elevadas.

 

No contexto brasileiro, mesmo com a recente redução dos juros, o patamar da taxa básica permanece elevado. Na quarta-feira, dia 29, o Banco Central decidiu pela redução da Selic para quatorze vírgula cinquenta por cento ao ano, ao mesmo tempo em que sinalizou postura cautelosa quanto a eventuais cortes adicionais, considerando os riscos de aceleração inflacionária.

 

Nos Estados Unidos, o Federal Reserve optou por manter as taxas entre três vírgula cinquenta por cento e três vírgula setenta e cinco por cento, ampliando, assim, a diferença entre o retorno oferecido pelas economias brasileira e norte-americana. Esse diferencial atrai investidores interessados em maior rentabilidade, contribuindo para a valorização do real.

 

Além do dólar, a cotação do euro comercial também apresentou forte queda, fechando o dia a cinco reais e oitenta e um centavos, com baixa de zero vírgula quarenta e oito por cento. Essa cotação representa o menor valor desde 24 de junho de 2024.

 

Desempenho das ações e fatores internos

O ambiente positivo foi refletido também no mercado acionário. O índice Ibovespa da B3 encerrou esta quinta-feira em cento e oitenta e sete mil trezentos e dezoito pontos, apresentando alta de um vírgula trinta e nove por cento.

 

O desempenho do índice foi resultado tanto do fluxo de capital estrangeiro quanto da reavaliação das expectativas relativas à política monetária. A sinalização de que os cortes da Selic tendem a ser mais graduais aumentou a confiança na estabilidade econômica, favorecendo o mercado de ações.

 

Apesar do aumento registrado nesta quinta-feira, o Ibovespa terminou o mês sem variação significativa, em razão de uma sequência de quedas recentes que anularam parte dos ganhos acumulados anteriormente.

 

Em âmbito doméstico, os agentes do mercado financeiro acompanharam atentamente indicadores econômicos e decisões políticas, ainda que com influência limitada sobre os preços dos ativos. Dados do mercado de trabalho sinalizaram resiliência da economia, reforçando a percepção de que há espaço reduzido para cortes de juros mais intensos no curto prazo.

 

Variações do petróleo e incertezas geopolíticas

A volatilidade dos preços do petróleo permaneceu como elemento relevante para os mercados internacionais. A commodity registrou oscilações significativas ao longo do pregão, impulsionada pelas tensões geopolíticas existentes no Oriente Médio.

 

Durante o dia, as cotações chegaram a superar cento e vinte dólares, mas perderam força nas horas seguintes. O barril do tipo Brent, utilizado como referência pela Petrobras, fechou a cento e dez dólares e quarenta centavos, praticamente no mesmo valor da sessão anterior. Já o barril WTI, negociado nos Estados Unidos, encerrou o dia em cento e cinco dólares e sete centavos, com queda de um vírgula sessenta e nove por cento.

 

As constantes variações são reflexo das incertezas quanto ao fornecimento global, sobretudo diante dos conflitos envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel, além das restrições impostas no Estreito de Hormuz, rota fundamental para o escoamento mundial do petróleo. Apesar de quedas pontuais, os preços continuam elevados, fator que mantém pressão sobre a inflação global e influencia diretamente as decisões de política monetária em diversos países.

 

Com informações da Reuters

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