Nos últimos anos, a presença feminina em esportes apresentou crescimento expressivo no Brasil, com destaque para o skate, que registrou maior evolução no interesse desse público. Segundo levantamento do Instituto Ibope Repucom, entre 2020 e 2025, a busca de mulheres por práticas esportivas cresceu 25%, superando a elevação média nacional, que ficou em 19% durante o mesmo período.
O levantamento apontou que nenhuma outra modalidade obteve avanço tão significativo de interesse entre as mulheres quanto o skate. A prática conquistou aumento de 49% na adesão feminina, impulsionada por conquistas importantes, como medalhas olímpicas – prata nos Jogos de Tóquio e bronze em Paris – e por quatro títulos do circuito mundial alcançados por Rayssa Leal.
O coordenador do Ibope Repucom, Danilo Amancio, analisou que o skate apresenta não apenas uma figura de referência aspiracional, como é o caso de Rayssa, mas também representa um estilo de vida. Ele ressaltou que, após a inclusão do skate como modalidade olímpica nos Jogos de Tóquio, a modalidade passou a ocupar novo patamar, especialmente diante dos resultados expressivos e das medalhas conquistadas pelo Brasil.
“O Brasil é um país que está começando a ter muitas referências de mulheres no esporte. O que elas constroem motiva mais mulheres a virem, a quererem lutar e, consequentemente, termos mais mulheres [envolvidas com esporte] no geral”, afirmou Larissa.
Ao longo da trajetória do judô feminino brasileiro, conquistas olímpicas como as de Sarah Menezes, Rafaela Silva e Beatriz Souza tiveram papel fundamental para tornar a modalidade a que mais rendeu medalhas ao país. Esse caminho se iniciou em 2008, nos Jogos de Pequim, com Ketleyn Quadros, então primeira judoca brasileira a subir no pódio olímpico. O feito inspirou Larissa Pimenta, que alcançou o mesmo objetivo em duas oportunidades: Tóquio, em 2021, e Paris, em 2024.
O futebol, reconhecido como esporte mais popular do Brasil, também apresentou aumento no interesse do público feminino, ainda que não lidere o ranking de preferência. Conforme o estudo, 64% das brasileiras se consideram fãs de futebol, índice que coloca a modalidade empatada em terceiro lugar com a natação e o vôlei de praia. A ginástica artística ocupa a primeira posição, com 72%, seguida pelo vôlei de quadra, que atinge 69%.
Danilo Amancio ressaltou que o interesse das mulheres pelo futebol vem crescendo cerca de 5% ao ano, o que atribui, entre outros fatores, ao aumento da exposição de torneios e produtos femininos, especialmente em emissoras de TV aberta. Além disso, o universo digital contribuiu para facilitar a aproximação do público com novas atletas e nomes em destaque.
Durante a cerimônia em que o Sesi São Paulo foi reconhecido pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) como Clube Formador devido ao trabalho com categorias de base femininas, atletas do time sub-15 relataram à reportagem que suas referências vão além das figuras mais conhecidas, como Formiga, Cristiane e Marta.
Marília, que atua como volante, afirmou ser admiradora de Angelina, jogadora do Orlando Pride (Estados Unidos) e capitã da seleção brasileira, destacando que exerce a mesma função em campo. Maria Teresa, conhecida como Teca, revelou que sua inspiração é a ex-goleira Hope Solo, que já defendia o Kansas City Current, equipe norte-americana, e que seu estilo de jogo se assemelha ao da atleta aposentada.
“A [jogadora] que mais me inspira é a [ex-goleira norte-americana] Hope Solo. Era fora de série e acho que tinha um jeito de jogar parecido com o meu, o que é intrigante”, comentou Teca.
O Campeonato Brasileiro Feminino, que é transmitido ao vivo por emissora pública, conta atualmente com jogadoras que também integram a seleção nacional. No torneio amistoso Fifa Series, promovido pela entidade internacional em Cuiabá, a seleção brasileira feminina foi campeã ao derrotar Coreia do Sul, Zâmbia e Canadá. Na competição, onze atletas convocadas atuam no campeonato nacional.
O engajamento feminino no futebol também se reflete no aumento do interesse pela Copa do Mundo masculina. O estudo revelou que 71% das mulheres se disseram fãs do evento de 2026, em comparação aos 59% registrados em 2014, quando o Mundial foi realizado no Brasil.
Pela primeira vez, o Brasil receberá, no próximo ano, a Copa do Mundo Feminina. O levantamento aponta que o evento já atrai a atenção de 65% do público brasileiro, considerando homens e mulheres. Danilo Amancio avalia que existe potencial para que esses números aumentem até 2027, podendo até superar o patamar de 67% atingido em 2014.
“O Brasil ser o país-sede vai gerar maior interesse natural e pela ampla cobertura que teremos no dia a dia. O fator Copa 2026 e, logo na sequência, uma Copa do Mundo Feminina aqui, por todos os fatores de contato imediato, tendem a ser motores essenciais para acelerar o crescimento do interesse feminino, e geral, pelo futebol feminino”, concluiu o coordenador.