No primeiro trimestre de 2026, o rendimento médio mensal dos trabalhadores no Brasil atingiu o patamar de 3.722 reais, resultado que representa um crescimento real de 5,5% em comparação com o mesmo período do ano anterior, considerando o desconto da inflação. Esse valor é o mais alto já registrado desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), iniciada em 2012.
O rendimento médio, ao ultrapassar a marca dos 3,7 mil reais, mantém uma sequência de recordes pelo segundo trimestre consecutivo. Entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026, o salário médio havia sido de 3.702 reais. Quando comparado ao quarto trimestre de 2025, cujo valor médio era de 3.662 reais, observa-se um avanço de 1,6% no rendimento dos trabalhadores.
De acordo com a pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o levantamento abrangeu dez grupos de atividades econômicas. Em oito desses grupos, não foi identificada variação significativa nos rendimentos médios dos trabalhadores. Apenas dois segmentos apresentaram aumento: no setor de comércio, houve alta de 3%, o que corresponde a mais 86 reais; já na administração pública, o avanço foi de 2,5%, representando um acréscimo de 127 reais no salário médio.
Segundo Adriana Beringuy, coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, parte relevante do aumento nos rendimentos pode estar relacionada ao reajuste do salário mínimo nacional fixado em 1.621 reais no início de janeiro de 2026.
“Pode ter uma participação já dessa questão do reajuste do salário mínimo, que é uma recomposição e até ganhos reais [acima da inflação].”
Além do reajuste do salário mínimo, a analista aponta que houve uma redução de cerca de um milhão de pessoas no contingente de trabalhadores ocupados no primeiro trimestre de 2026 em relação ao último trimestre de 2025. Essa diminuição foi mais notada entre trabalhadores informais, grupo que apresenta remuneração média inferior.
Por esse motivo, a média dos rendimentos dos trabalhadores ocupados no início de 2026 ficou acima da média observada no período imediatamente anterior.
O levantamento do IBGE revelou ainda que a massa de rendimentos dos trabalhadores alcançou o valor de 374,8 bilhões de reais, o maior já registrado desde o início da série histórica. Essa quantia representa a soma de todos os salários pagos, recursos que são utilizados para consumo, liquidação de dívidas, realização de investimentos e constituição de poupança.
Em relação ao mesmo trimestre de 2025, a massa salarial cresceu 7,1% acima da inflação, o que se traduz em um acréscimo de 24,8 bilhões de reais nas mãos dos trabalhadores em um intervalo de doze meses.
No que se refere à contribuição para a previdência, o IBGE apontou que, no primeiro trimestre de 2026, 66,9% dos trabalhadores ocupados estavam contribuindo para algum sistema previdenciário oficial. Esse índice é o mais elevado já apurado pela pesquisa, o que corresponde a 68,174 milhões de pessoas cobertas por proteção social.
O ato de contribuir para a previdência garante ao trabalhador benefícios como aposentadoria, auxílio por incapacidade e pensão por morte. O IBGE considera como contribuintes todos os empregados, empregadores, trabalhadores domésticos e autônomos que tenham realizado contribuições para o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) ou para outros regimes de previdência oficiais, sejam federais, estaduais ou municipais.
De acordo com Adriana Beringuy, o aumento da participação na previdência está ligado à redução da informalidade no mercado de trabalho. Segundo ela, os trabalhadores informais costumam contribuir menos para a previdência.
No trimestre encerrado em março, a taxa de informalidade foi de 37,3% dos trabalhadores ocupados, o equivalente a 38,1 milhões de pessoas sem carteira assinada, sem direitos trabalhistas ou sem registro formal. No final de 2025, esse índice era de 37,6%, e, no primeiro trimestre daquele ano, de 38%.
O IBGE esclareceu que, mesmo sem vínculo formal, um trabalhador pode ser contribuinte individual da previdência, caso, por exemplo, seja autônomo sem CNPJ e opte por contribuir com o INSS.
A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, principal ferramenta de análise do emprego no Brasil, abrange pessoas com 14 anos ou mais, considerando tanto trabalhadores com carteira assinada quanto temporários e autônomos.
No primeiro trimestre de 2026, a taxa de desemprego ficou em 6,1%, percentual que, segundo o IBGE, é o mais baixo já observado para esse período. O instituto considera como desempregados apenas os indivíduos que procuraram trabalho nos 30 dias anteriores à pesquisa. O levantamento foi realizado em 211 mil domicílios espalhados pelos estados e pelo Distrito Federal.