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Santa Marta sedia encontro internacional para reduzir uso de fósseis

Evento reúne 60 países, especialistas e organizações para debater transição energética e propostas de abandono dos combustíveis fósseis.

22/04/2026 às 19:06
Por: Redação

Na cidade de Santa Marta, localizada na Colômbia, representantes de aproximadamente 60 países, autoridades de governos locais, povos indígenas, grupos tradicionais, entidades sociais, especialistas e diplomatas iniciam, nesta sexta-feira, a 1ª Conferência Internacional voltada à discussão sobre a transição para o abandono progressivo dos combustíveis fósseis.

 

O principal propósito desse evento é compilar contribuições que possam subsidiar a estruturação de um documento conhecido como Mapa do Caminho para a transformação energética, com vistas a reduzir a dependência mundial de fontes fósseis de energia.

 

De acordo com os organizadores, a conferência não possui caráter deliberativo nem integra formalmente processos ou iniciativas de negociação já existentes, tampouco substitui a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC, na sigla em inglês).

 

Promovida conjuntamente pelos governos da Colômbia e dos Países Baixos, a iniciativa busca criar um ambiente propício para discussões mais amplas, democráticas e horizontais sobre estratégias de transição energética.

 

Durante o evento, as discussões serão distribuídas em três eixos centrais: a superação da dependência econômica dos combustíveis fósseis, a transformação tanto da oferta quanto da demanda energética e o fortalecimento da cooperação internacional acompanhada da diplomacia climática.

 

Além dos debates setoriais previstos, está incluído no programa o lançamento de um Painel Científico para a Transição Energética, bem como a realização de uma assembleia popular. Uma cúpula específica para líderes ocorrerá nos dias 28 e 29 de abril, ocasião em que será encerrada a Plenária Geral da conferência.

 

Estratégias para uma nova matriz energética global

 

Está também prevista a formação de uma coalizão de países interessados em promover transformações reais por meio do intercâmbio de experiências e de mecanismos financeiros, fiscais e regulatórios já implementados em âmbito nacional.

 

O Mapa do Caminho, documento central para o evento, foi idealizado pelo Brasil em novembro de 2025, durante a realização da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém, no Pará.

 

Na ocasião, mesmo sem consenso para a inclusão do tema no documento final da COP30, foi identificado o apoio de 80 países à proposta de elaboração de uma estratégia global que vise o abandono dos combustíveis fósseis. A entrega oficial desse material está prevista para novembro, durante a COP31, em Antália, na Turquia. Até o momento, o processo segue em construção, com a presidência brasileira da COP avaliando as sugestões enviadas em consulta pública internacional, encerrada em 10 de abril.

 

Após cinco meses do lançamento da proposta, reiteraram interesse em participar do debate diversos países com significativa participação no mercado de combustíveis fósseis, como Austrália, Canadá, México, Noruega e a União Europeia. Por outro lado, Estados Unidos, China e Índia informaram que não pretendem integrar essa discussão.

 

Mobilização social e participação de organizações brasileiras

 

O Brasil conta com expressiva mobilização social em apoio ao Mapa do Caminho, com diferentes entidades e movimentos apresentando colaborações, incluindo povos indígenas e redes que englobam centenas de instituições ligadas à temática ambiental.

 

Segundo Ricardo Fujii, especialista em Conservação do WWF-Brasil, a delegação brasileira chega à conferência em Santa Marta com condições de assumir papel estratégico na busca de consensos e na efetivação de iniciativas globais.

 

“Em um momento de instabilidade internacional, a liderança brasileira pode ajudar a articular esforços formais e informais, fortalecendo a cooperação climática e entregando respostas concretas para a sociedade”, diz.

 

As organizações sociais também destacaram a importância da Colômbia, país situado na região amazônica, sediar o evento. Para Mariana Andrade, responsável pela coordenação de Oceanos do Greenpeace Brasil, é simbólico que a primeira conferência internacional focada em uma transição energética justa aconteça nesse contexto, especialmente diante das tentativas de exploração de petróleo na Foz do Amazonas, consideradas um sinal de alerta.

 

"Explorar petróleo e gás na Amazônia terá significativas consequências socioambientais locais e globais, já que o bioma é essencial para manter o equilíbrio climático do mundo. Em Santa Marta, esperamos que os países reforcem a urgência de barrar a expansão da indústria fóssil na Amazônia antes que os danos sejam irreversíveis", conclui.

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