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Coopamare enfrenta ordem de despejo após 37 anos em Pinheiros

Coopamare, referência na reciclagem, tem 15 dias para defesa após notificação da prefeitura.

22/04/2026 às 20:57
Por: Redação

A Cooperativa de Catadores Autônomos de Papel, Aparas e Materiais Reaproveitáveis (Coopamare), reconhecida como a mais antiga cooperativa de reciclagem de materiais em atividade no Brasil, foi notificada pela Prefeitura de São Paulo para desocupar o espaço onde atua há mais de três décadas sob o Viaduto Paulo VI, em Pinheiros.

 

O aviso de desocupação foi entregue em 31 de março, fundamentado em um auto de fiscalização emitido em 18 de março. O documento oficial classifica como ilegal a ocupação da área de 675 metros quadrados sob o viaduto, alegando que o espaço teria sido invadido. Segundo as normas da prefeitura, a Coopamare teve 15 dias para apresentar defesa, procedimento realizado no dia 2 de abril.

 

Em 2023, a autorização de uso do local havia sido revogada. As justificativas apresentadas pela administração municipal mencionaram a necessidade de preservar o patrimônio público e apontaram riscos de incêndio associados à ocupação.

 

Até o encerramento do prazo da reportagem, a Prefeitura de São Paulo não respondeu aos questionamentos sobre o caso.

 

Carla Moreira de Souza, presidente da Coopamare, relatou que, durante o processo de revogação, a entidade encaminhou defesa e iniciou diálogo com os órgãos municipais. Segundo ela, havia expectativa de que a prefeitura encontrasse um novo espaço adequado para a atividade dos cooperados.

 

“Estamos aqui há 37 anos. Aceitamos ir para outro lugar, desde que seja um galpão onde tenhamos condições de continuar trabalhando. A prefeitura nos oferece outro viaduto, mas o espaço é pequeno e não dá para levar nossas coisas".


 

Carla Moreira de Souza também reiterou a reivindicação da cooperativa:

 

“Não queremos ir para outro viaduto. Nossa expectativa hoje é a de que ela nos deixe onde estamos ou arrume um galpão, na mesma região, para podermos trabalhar em paz, com todos os direitos que temos como trabalhadores”.


 

Atualmente, a Coopamare recupera cerca de 100 toneladas mensais de materiais recicláveis. Essa produção resulta do trabalho de 24 cooperados, além do apoio de aproximadamente 60 catadores autônomos.

 

Mobilização pela permanência e impacto social

 

Em resposta à ordem de despejo, a cooperativa organizou um manifesto e um abaixo-assinado solicitando a manutenção de suas atividades em Pinheiros. O texto do manifesto destaca que garantir a permanência da Coopamare significa defender o direito ao trabalho, a preservação ambiental e a justiça social.

 

Segundo o documento, a Coopamare representa um símbolo de resistência, dignidade e compromisso com a sustentabilidade, formado por trabalhadoras e trabalhadores que, em grande parte, superaram a condição de rua ao encontrar na reciclagem uma alternativa de sustento e colaboração para a cidade.

 

O manifesto ressalta ainda que, além de promover emprego e renda, a cooperativa contribui de forma essencial para toda a região, realizando a correta separação e encaminhamento dos resíduos recicláveis.

 

Entre os benefícios apontados estão a redução da poluição, a diminuição do volume de lixo enviado aos aterros sanitários, a preservação do meio ambiente e a economia de recursos públicos por meio da redução dos custos de coleta. A organização destaca também que sua experiência serve de exemplo para milhares de catadores que aprenderam a se organizar e combater o desemprego e a informalidade, sendo oficialmente integrados ao processo de reciclagem, apesar do histórico de marginalização social.

 

A Associação Nacional de Catadores/as de Materiais Recicláveis (Ancat) manifestou apoio à Coopamare, reconhecendo o papel pioneiro da entidade como a primeira cooperativa de catadores do país, além de enfatizar sua importância histórica na consolidação da reciclagem com inclusão social no Brasil.

 

De acordo com a Ancat, a continuidade da Coopamare no local deve ser compreendida como reconhecimento de sua função essencial para a cidade, e não um favor. O apoio à cooperativa também foi registrado pela Unicatadores e pelo Movimento Nacional dos Catadores(as) de Materiais Recicláveis (MNCR).

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