O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, revogou a credencial diplomática de um agente de imigração dos Estados Unidos que estava lotado na sede da corporação em Brasília.
Esta medida foi anunciada como uma resposta direta à decisão recente do governo dos EUA, que determinou a saída do delegado brasileiro Marcelo Ivo de Carvalho, também da Polícia Federal, do território americano.
Durante entrevista ao programa Estúdio i, transmitido pela GloboNews, Andrei Rodrigues declarou:
“Eu retirei, com pesar, as credenciais de um servidor dos EUA pelo princípio da reciprocidade.”
Em busca de esclarecimentos sobre essa decisão e sobre a substituição do delegado Marcelo Ivo pela delegada Tatiana Alves Torres, a Polícia Federal foi procurada. Até o fechamento desta matéria, não havia sido fornecido retorno pela assessoria de imprensa da instituição.
No dia 20 de maio, o Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos comunicou publicamente que havia solicitado a saída de um “funcionário brasileiro” do país. Apesar de não ter mencionado nomes, a notificação indicava tratar-se de um delegado da Polícia Federal envolvido no caso da prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem.
Alexandre Ramagem, que havia sido diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), foi detido na Flórida e permaneceu preso durante dois dias, sendo liberado em 15 de maio.
Em 2023, o Supremo Tribunal Federal condenou Alexandre Ramagem a uma pena de 16 anos de prisão, em decorrência de envolvimento em uma trama golpista.
No dia seguinte à divulgação da ordem americana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou o episódio durante viagem oficial à Alemanha, enfatizando a reação do governo brasileiro. Lula afirmou:
“Acho que, se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com o deles no Brasil. Não tem conversa.”
Dessa forma, a retirada da credencial do agente norte-americano integra uma sequência de ações baseadas no princípio de reciprocidade diplomática, diante de decisões similares adotadas recentemente pelos Estados Unidos contra representantes do Brasil.