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Peru: Ultraconservador e esquerda lutam por vaga no 2º turno

A cinco dias da votação, a corrida presidencial peruana mantém dois candidatos separados por menos de 3 mil votos, enquanto Keiko Fujimori já está no segundo turno

17/04/2026 às 22:49
Por: Redação

A corrida presidencial no Peru permanece em aberto, com a definição do adversário de Keiko Fujimori no segundo turno ainda incerta, cinco dias após a votação do último domingo (17). O pleito, que contou com 35 candidatos, ocorre em um período de intensa instabilidade política no país, que já teve nove presidentes em uma década.

 

Keiko Fujimori, candidata de direita, assegurou sua presença na segunda etapa da eleição, agendada para 7 de junho, ao conquistar 17% dos votos apurados. No entanto, a disputa pela segunda vaga é extremamente apertada, com os candidatos Roberto Sánchez Palomino, de esquerda, e o ultraconservador Rafael Aliaga separados por menos de 3 mil votos.

 

Até o início da tarde desta sexta-feira, o Peru havia contabilizado 93,3% das urnas. Roberto Sánchez, que tem aliança com o ex-presidente Pedro Castillo, acumula 12% dos votos, enquanto Rafael Aliaga, admirador declarado do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, registra 11,9% dos votos válidos.

 

O Peru, o quarto país mais populoso da América do Sul, com aproximadamente 34 milhões de habitantes, compartilha uma fronteira de 2,9 mil quilômetros com o Brasil, sendo a segunda maior após a divisa com a Bolívia.

 

Impactos Geopolíticos da Eleição

 

O professor Gustavo Menon, que atua na pós-graduação em Integração da América Latina da Universidade de São Paulo (USP), analisa que o resultado desta eleição pode influenciar a rivalidade comercial entre China e Estados Unidos na região latino-americana.

 

“Roberto Sánchez se opõem vertiginosamente à plataforma encampada por Keiko Fujimori, que pretende se realinhar com os EUA. Ela já fez acenos a Donald Trump no sentido de recrudescer a política migratória e estancar a influência chinesa que se dá, sobretudo, via Porto de Chancay”, avalia.


 

Perfil dos Candidatos

 

Keiko Fujimori é filha do ex-ditador Alberto Fujimori, que esteve no poder no Peru entre 1990 e 2000. Ela lidera a contagem com 2,6 milhões de votos, em um universo de 27 milhões de eleitores. Esta é a quarta vez que Keiko se candidata à presidência, tendo sido derrotada no segundo turno nas três eleições anteriores, em 2011, 2016 e 2021.

 

Suas consecutivas derrotas indicam uma dificuldade em superar um determinado limite de votos, atribuída à resistência popular em relação ao legado político de seu pai, que foi condenado por violações de direitos humanos.

 

O antropólogo Salvador Schavelzon, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e especialista em política latino-americana, comenta sobre a associação de Keiko com a figura paterna.

 

“Fujimori lembra no Peru da guerra contra o Sendero Luminoso, a reedição desse discurso antiterrorista, mas que, nas províncias, é associado às elites, ao neoliberalismo”, destacou.


 

Roberto Sánchez Palomino acumulou até o momento 1,890 milhão de votos. Ele é um aliado do ex-presidente Pedro Castillo, que foi deposto e preso por uma suposta tentativa de golpe de Estado ao tentar dissolver o parlamento. Para seus defensores, Castillo foi vítima da influência do parlamento peruano por representar o voto das comunidades rurais.

 

Schavelzon descreve Sánchez como um político com um perfil nacionalista-popular.

 

“É um nacionalismo popular que reivindica a cor da pele, o chapéu, que são símbolos importantes de um setor político que vem chegando aos poucos, mas com muita resistência por parte das elites. Ele busca dar uma resposta às maiorias que trabalham na terra, do interior, e tem prometido algumas reformas”, comentou.


 

Entre suas propostas de governo, destacam-se a nacionalização de recursos naturais, a convocação de uma nova assembleia constituinte para reformular os poderes institucionais do Peru e a ampliação dos direitos trabalhistas.

 

Sánchez atuou como ministro do Comércio Exterior e Turismo no governo de Pedro Castillo em 2021. Formado em psicologia e deputado pelo partido Juntos Pelo Peru, ele foi um dos principais entusiastas do Porto de Chancay, um projeto com significativo investimento chinês voltado para o escoamento da produção para a Ásia.

 

Apesar de sua conexão com a população rural, Schavelzon ressalta que Sánchez também tem raízes no cenário partidário do congresso peruano.

 

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