A empresa MG Coutinho Serviços Cenográficos será autuada e multada pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (Crea-RJ) após o falecimento de um trabalhador envolvido na montagem do palco para o show da cantora Shakira, previsto para ocorrer no próximo sábado na Praia de Copacabana.
De acordo com informações repassadas pelo conselho nesta segunda-feira, fiscais constataram que a MG Coutinho Serviços Cenográficos não possui registro junto ao Crea-RJ para desempenhar atividades de engenharia, tampouco dispõe de responsável técnico habilitado para tais funções.
O acidente ocorreu na tarde de domingo, quando o serralheiro Gabriel de Jesus Firmino, de 28 anos, teve as pernas esmagadas por um sistema de elevação enquanto trabalhava na montagem da estrutura do palco. O Corpo de Bombeiros não estava no local no momento do incidente; o trabalhador foi retirado do equipamento por colegas antes da chegada do socorro.
Gabriel foi encaminhado ao Hospital Municipal Miguel Couto, na região do Leblon, mas não resistiu à gravidade dos ferimentos.
Desde o dia 7 de abril, fiscais do Crea-RJ acompanham a montagem da estrutura do evento. Na segunda-feira, após o acidente, retornaram ao local com o objetivo de obter mais informações sobre as circunstâncias do ocorrido.
A partir do acidente, o conselho também notificou a Bônus Track, empresa responsável pela produção do evento, solicitando a apresentação da lista completa de empresas e profissionais que atuam na instalação e/ou manutenção técnica do show, bem como documentos como contratos e notas fiscais. A produtora tem um prazo de quatro dias, a partir desta segunda-feira, para responder à solicitação.
Até o fechamento da reportagem, não houve resposta da MG Coutinho Serviços Cenográficos aos pedidos de esclarecimento. A Bônus Track, por sua vez, encaminhou nota sobre o caso afirmando que lamenta o ocorrido e está oferecendo apoio à família do trabalhador falecido.
O delegado Ângelo Lages, titular da Delegacia Policial de Copacabana e responsável pela investigação, informou à imprensa que trabalha com duas possibilidades para o caso: homicídio culposo ou acidente de trabalho. De acordo com o delegado, o foco das investigações será o equipamento envolvido no acidente.
“Vamos trabalhar com as duas possibilidades e concentrar os trabalhos no equipamento”.
Lages também declarou que a apuração buscará identificar possíveis elementos de negligência, imprudência ou descumprimento de dever de cuidado. Conforme relato do policial, a versão inicial aponta que Gabriel realizava a soldagem de uma peça no momento em que teria solicitado a outro operador que baixasse o elevador, sendo então prensado entre os dois equipamentos.
Peritos da Polícia Civil retornaram ao local do acidente nesta segunda-feira para a realização de novas diligências técnicas. O delegado Ângelo Lages afirmou acreditar que o inquérito será concluído no prazo de um mês e que o laudo pericial sobre as causas do acidente também deve ser finalizado em até 30 dias.