O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil adotará ações de reciprocidade diante da decisão do governo norte-americano, sob Donald Trump, de solicitar a retirada de um delegado da Polícia Federal dos Estados Unidos. O servidor brasileiro estava envolvido na detenção do ex-deputado Alexandre Ramagem naquele país. A manifestação de Lula ocorreu nesta terça-feira, 21, durante compromisso oficial na Alemanha.
“Não sei o que aconteceu. Fui informado hoje de manhã. Acho que, se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com o deles no Brasil. Não tem conversa”, disse Lula.
O chefe do Executivo brasileiro declarou que o país busca a condução correta dos procedimentos, mas não aceitará atitudes de interferência ou excessos de autoridade por parte de representantes dos Estados Unidos em relação ao Brasil.
O Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos comunicou, na segunda-feira, 20, que requisitou a saída de um “funcionário brasileiro” de seu território. Embora o anúncio não tenha especificado o nome, a referência aponta para o delegado da Polícia Federal que participou da prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem.
Segundo a publicação feita na rede social X, o órgão americano alegou que o servidor tentou contornar procedimentos legais formais de cooperação jurídica entre os dois países.
“Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos. Hoje, pedimos que o funcionário brasileiro envolvido deixe o nosso país por tentar fazer isso.”
Alexandre Ramagem, que foi detido no estado da Flórida, foi libertado na quarta-feira, 15, após passar dois dias sob custódia do serviço de imigração dos Estados Unidos.
O ex-deputado exerceu o cargo de diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). O Supremo Tribunal Federal condenou Ramagem a 16 anos de prisão em processo penal envolvendo uma trama golpista, decisão proferida no ano anterior.
Após o veredicto do STF, Ramagem perdeu o mandato parlamentar, deixou o território brasileiro para evitar o cumprimento da pena e transferiu sua residência para os Estados Unidos.
No mês de dezembro de 2025, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou que fosse encaminhado um pedido formal de extradição de Ramagem às autoridades norte-americanas, por meio do Ministério da Justiça e Segurança Pública do Brasil.
De acordo com a Polícia Federal, a prisão do ex-deputado foi resultado de uma cooperação policial internacional entre Brasil e Estados Unidos, que envolveu atuação conjunta das forças policiais dos dois países.
Segundo informações da corporação, Ramagem foi detido na cidade de Orlando, sendo considerado foragido da Justiça do Brasil após ser condenado pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.