LogoAracaju Notícias

Saldo negativo das contas externas atinge 6 bilhões de dólares em março

Déficit nas contas externas aumentou em março e atingiu 2,71% do PIB em 12 meses; exportações e investimentos diretos apresentam variação.

24/04/2026 às 18:38
Por: Redação

O Banco Central divulgou nesta sexta-feira que o Brasil registrou déficit de 6,036 bilhões de dólares nas contas externas durante o mês de março. Este valor representa mais do que o dobro verificado no mesmo mês de 2025, quando o saldo negativo foi de 2,930 bilhões de dólares nas transações correntes, que consideram operações de compra e venda de mercadorias, serviços e transferências de renda entre o país e o exterior.

 

Após três meses consecutivos de redução do déficit, o resultado negativo voltou a subir em março. No acumulado dos 12 meses encerrados neste mês, o déficit nas transações correntes alcançou 64,274 bilhões de dólares, o equivalente a 2,71% do Produto Interno Bruto (PIB), que representa a soma de todos os bens e serviços produzidos no país nesse período.

 

Comparando ao período de 12 meses finalizado em março de 2025, houve uma diminuição do déficit, uma vez que naquele momento o saldo negativo era de 74,383 bilhões de dólares, correspondendo a 3,47% do PIB.

 

O aumento do déficit em março deste ano, se comparado ao mesmo mês do ano anterior, foi decorrente da redução de 1,6 bilhão de dólares no superávit da balança comercial de bens, causada pelo crescimento das importações. Além disso, o déficit em renda primária aumentou em 1,1 bilhão de dólares e o de serviços cresceu em 600 milhões de dólares.

 

Cenário dos investimentos internacionais

 

De acordo com o Banco Central, mesmo com o aumento observado em março, as transações correntes apresentam perspectiva de redução do déficit em 12 meses desde setembro de 2025, sendo consideradas robustas pela instituição. O saldo negativo das contas externas está sendo financiado principalmente por capitais de longo prazo, com destaque para os investimentos diretos no país (IDP), que mantêm fluxos e estoques considerados de boa qualidade.

 

O ingresso de investimentos diretos no país totalizou 6,037 bilhões de dólares em março de 2026, cifra ligeiramente inferior à registrada em março de 2025, que foi de 6,295 bilhões de dólares. Quando há saldo negativo nas transações correntes, o país precisa cobrir o déficit por meio de empréstimos ou investimentos estrangeiros, sendo que o IDP é a modalidade vista como mais favorável, pois destina recursos ao setor produtivo em caráter de longo prazo.

 

Nos 12 meses até março de 2026, os investimentos diretos no país atingiram 75,660 bilhões de dólares, o que representa 3,18% do PIB, frente aos 75,918 bilhões de dólares (3,24% do PIB) no mês anterior e 74,078 bilhões de dólares (3,45% do PIB) no período encerrado em março de 2025.

 

Em relação aos investimentos em carteira no mercado doméstico, houve retirada líquida de 2,867 bilhões de dólares em março de 2026, sendo a maior parte relativa a títulos de dívida. No acumulado de 12 meses encerrados em março, esses investimentos resultaram em ingressos líquidos de 28,4 bilhões de dólares, comparados a entradas de 29,5 bilhões de dólares nos 12 meses terminados em fevereiro de 2026 e saídas líquidas de 6,8 bilhões de dólares ao longo dos 12 meses até março de 2025.

 

No que se refere às reservas internacionais, o estoque atingiu 362,002 bilhões de dólares em março, representando uma redução de 9,072 bilhões de dólares em relação ao mês anterior.

 

Desempenho de exportações, importações e contas de renda

 

Durante março de 2026, as exportações de bens totalizaram 31,738 bilhões de dólares, com alta de 9,5% em comparação ao mesmo mês de 2025. As importações, por sua vez, alcançaram a marca de 26,118 bilhões de dólares, apresentando crescimento de 19,9% no mesmo período comparativo.

 

Esses resultados resultaram em um superávit comercial de 5,620 bilhões de dólares em março deste ano, enquanto em março de 2025 havia sido registrado déficit de 7,219 bilhões de dólares.

 

O saldo negativo na conta de serviços, que abrange despesas com viagens internacionais, transporte, aluguel de equipamentos, serviços de telecomunicação, propriedade intelectual, entre outros, alcançou 4,785 bilhões de dólares em março de 2026, frente ao déficit de 4,216 bilhões de dólares observado em março do ano anterior.

 

Em relação à conta de renda primária, que inclui pagamentos de lucros, dividendos de empresas, juros e salários, o déficit chegou a 7,384 bilhões de dólares em março, um aumento de 17,8% sobre o resultado de março de 2025, que havia sido de 6,267 bilhões de dólares. Essa conta costuma apresentar déficit devido ao volume maior de investimentos estrangeiros no Brasil, cujos lucros são remetidos ao exterior, em comparação com os investimentos de brasileiros fora do país.

 

A conta de renda secundária, referente a recursos gerados em uma economia e transferidos para outra sem contrapartida de serviços ou bens—caso de doações e remessas em dólares—apresentou saldo positivo de 512 milhões de dólares no mês de março de 2026, superior ao superávit de 335 milhões de dólares registrado no mesmo mês do ano anterior.

© Copyright 2025 - Aracaju Notícias - Todos os direitos reservados