O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tornou pública, na noite da quinta-feira, 23, a decisão que condenou o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, à inelegibilidade até o ano de 2030. O documento divulgado apresenta a fundamentação jurídica dos votos dos ministros responsáveis pelo julgamento.
A publicação do acórdão abre caminho para que o Supremo Tribunal Federal (STF) retome, nos próximos dias, o julgamento que vai definir se a escolha para o chamado mandato-tampão de governador do estado ocorrerá por votação direta, com participação popular, ou indireta, restrita aos deputados da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
Até o momento, o plenário do Supremo contabiliza quatro votos a favor e um contrário à realização de eleições indiretas para definir o novo governador do Rio de Janeiro durante o mandato-tampão.
Ainda não há decisão definitiva do STF, e o ministro Flávio Dino, que pediu vista do processo no dia 9 de abril, declarou que pretende apresentar seu voto após a publicação do acórdão do TSE.
Enquanto o Supremo Tribunal Federal não conclui o julgamento, o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), Ricardo Couto de Castro, permanece responsável pelo governo do estado em caráter interino.
Em 23 de março, Cláudio Castro foi condenado pelo TSE à perda dos direitos políticos e, como consequência, o tribunal determinou que a sucessão do governo do Rio de Janeiro se desse por meio de eleições indiretas.
Após essa decisão, o diretório estadual do Partido Social Democrático (PSD) entrou com recurso no Supremo Tribunal Federal, defendendo que a escolha do novo governador do estado deveria ocorrer por voto direto da população.
Na véspera do julgamento, Cláudio Castro apresentou renúncia ao cargo de governador, com o objetivo de cumprir o prazo de desincompatibilização exigido para possível candidatura ao Senado. De acordo com as regras, ele poderia deixar o posto até o dia 4 de abril.
Esse movimento foi interpretado como uma tentativa de influenciar o formato da eleição para o mandato-tampão, favorecendo a realização de pleito indireto em vez do direto. Essa estratégia permitiria que Castro exercesse influência sobre a escolha de um aliado para assumir o governo de forma interina. Caso as eleições fossem diretas, a tendência seria beneficiar Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro e pré-candidato ao governo pelo PSD.
No ano de 2025, o então vice-governador, Thiago Pampolha, deixou o cargo para assumir uma cadeira no Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro. Desde então, o estado não conta com vice-governador.
A linha sucessória previa que o presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar, assumisse o governo. No entanto, Bacellar foi cassado na mesma decisão do TSE que condenou Castro e, assim, perdeu o mandato de deputado estadual.
Com a saída de Bacellar, Douglas Ruas, do partido PL, assumiu a presidência da Alerj e solicitou ao STF o direito de ocupar o cargo de governador interino, alegando estar na linha sucessória.
Enquanto não há o desfecho do julgamento no Supremo, permanece à frente do governo do Rio de Janeiro o presidente do Tribunal de Justiça estadual, Ricardo Couto de Castro, em caráter provisório.